Quando uma securitizadora cresce, o gargalo raramente é dinheiro. É gente. Em uma das conversas que tivemos com sócios do setor, o crescimento de 30% na carteira levou um único analista a receber dez cedentes novos por semana para cadastrar e analisar. A saída de sempre é contratar, e a qualidade da análise cai até a pessoa nova aprender.
A maior parte desse trabalho é repetitiva: abrir o PDF do pedido e digitar sacado, valor e vencimento; consultar cada sacado; copiar consulta, histórico e visita para uma mensagem no grupo do comitê. É exatamente o tipo de tarefa em que um agente de IA ajuda.
O que os agentes fazem na Fiag
Separamos os agentes por etapa da operação, e cada um tem um trabalho estreito.
O agente de lastro lê XML de NF-e, pedido em PDF ou no corpo do e-mail, foto de cheque, boleto e planilha. Ele não cria o lote sozinho. Devolve um rascunho, e a operadora confere antes de virar operação. Quando ele erra uma extração, o erro fica registrado para a gente corrigir o modelo.
O agente de análise junta Receita, bureau, SCR, protestos, processos e visitas num resumo de parecer, com pontos a favor e contra. O analista revisa, edita e assina.
O agente de decisão monta o card que o comitê vai olhar e sugere uma condição, como liberar parte agora e o restante depois que a entrega for confirmada.
E o agente de monitoramento acompanha a carteira depois que ela roda, olhando atraso de entrega, recompras e carteira vencida.
O que fica com as pessoas
A decisão de crédito não sai da mão de quem responde por ela. Dentro da política e abaixo de um valor que a securitizadora define, a operadora aprova na própria alçada. Acima disso, vai para gerente ou para os sócios, e cada voto fica registrado com nome, data e comentário. Recusa exige motivo.
O agente também não muda as regras de controle. Quem cria a operação não aprova. Quem aprova um pagamento não altera a conta de destino. Um agente não fura essas regras, porque elas estão no sistema e não no agente.
Por que tanto registro
Em crédito, um erro custa dinheiro e às vezes só aparece meses depois. Quando aparece, a primeira pergunta é quem fez o quê e com qual informação. Por isso tudo o que um agente faz vira um evento no histórico do cedente, com o nome do agente, e esse histórico não pode ser editado nem apagado. As consultas ao bureau também ficam guardadas como estavam no dia.
Dá mais trabalho construir assim. Em compensação, a securitizadora consegue explicar cada decisão para o sócio, para o auditor e para ela mesma, seis meses depois.