A Instrução Normativa RFB 2.229/2024 criou o CNPJ alfanumérico, e a Receita começou a emitir no novo formato em julho de 2026. Quem já tem CNPJ continua com o número de sempre. As empresas abertas daqui para a frente podem receber letras nas doze primeiras posições.
Para uma securitizadora isso aparece em dois lugares ao mesmo tempo. O cedente novo pode ter letras no CNPJ, e o sacado que vem no lastro também. Basta um deles para a operação travar em algum ponto do caminho.
O formato
O CNPJ continua com 14 caracteres. As doze primeiras posições aceitam letras maiúsculas e números, e os dois dígitos verificadores continuam sendo números. Um exemplo de formato válido é 12ABC34501DE35.
O cálculo do dígito verificador também mudou pouco. Cada caractere vale o código ASCII dele menos 48, o que faz os algarismos manterem o valor de sempre e as letras virarem números maiores (A vale 17, B vale 18 e assim por diante). Depois disso o módulo 11 funciona como antes.
Onde costuma quebrar
O erro mais comum é guardar CNPJ como número. Na planilha, o Excel converte a coluna e corta zeros à esquerda há anos, e muita gente já se acostumou a corrigir na mão. Com letras, a conversão não corta zero, ela falha. Banco de dados com coluna numérica para CNPJ não aceita o valor.
Validação feita com expressão regular de só dígitos também recusa o documento. Isso costuma estar espalhado: no formulário de cadastro, no importador de lote, no leitor de XML, na integração com o banco que emite boleto. Cada lugar desses precisa ser revisto.
A máscara de exibição é outro detalhe. 12.ABC.345/01DE-35 continua legível, mas código que formata o CNPJ com operações numéricas não chega a esse resultado.
E tem os parceiros. Bureau, registradora, banco e provedor de assinatura precisam aceitar o formato novo. Vale perguntar a cada um, por escrito, desde quando aceitam e se já testaram.
O que fizemos na Fiag
Na Fiag o CNPJ é texto desde a primeira linha de código. Fica guardado com 14 caracteres, em maiúsculas e sem máscara, e o banco recusa qualquer valor fora do padrão de doze letras ou números seguidos de dois números. A validação do dígito acontece em um único lugar, que cadastro, importação e integrações usam igual.
Não foi uma decisão difícil, porque o sistema nasceu depois da norma. Para quem tem sistema antigo, a revisão dá trabalho, mas o trabalho é previsível: achar todo lugar em que o CNPJ entra, sai ou é comparado, e trocar número por texto.